Após Seis Dias, Justiça Determina Novo Fechamento da Cachoeira do Tabuleiro em Conceição do Mato Dentro
A Cachoeira do Tabuleiro, um dos mais emblemáticos cartões-postais de Minas Gerais, em Conceição do Mato Dentro, teve seu poço principal e áreas adjacentes novamente interditados pela Justiça no último dia 25 de julho de 2026. A decisão atende a um pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e ocorre apenas seis dias após o local ter sido reaberto ao público, no domingo, dia 19, depois de um período de cinco anos fechado para visitação.
De acordo com a ação movida pelo MPMG, diversas condições de segurança, estipuladas em um acordo assinado em dezembro de 2025, não teriam sido integralmente cumpridas. Entre as medidas pendentes, o Ministério Público cita a ausência da instalação de estações meteorológica e pluviométrica para prever trombas d'água, a falta de um sistema permanente de monitoramento sísmico e o acompanhamento contínuo dos pontos críticos do paredão rochoso. Além disso, foram apontadas inadequações no plano de manejo do parque. A determinação judicial exige ainda o isolamento físico de um raio de 500 metros da queda d'água, com a implementação de barreiras e avisos ostensivos de proibição de passagem, permitindo acesso apenas a equipes técnicas autorizadas para monitoramento e manutenção.
A Promotoria de Justiça justificou que a documentação técnica apresentada para a reabertura cobria somente a área onde houve intervenção para remoção de blocos rochosos, sem abranger toda a extensão do paredão da cachoeira, que possui setores classificados como de alto e médio risco. Em nota, a Prefeitura de Conceição do Mato Dentro, responsável pela administração do parque, informou que ainda não havia sido intimada formalmente da decisão. A administração municipal declarou que, assim que notificada, realizará uma análise técnica e jurídica e apresentará ao Ministério Público e ao Poder Judiciário os estudos, laudos e dados de monitoramento pertinentes, reforçando que a reabertura ocorreu após avaliação técnica que atestou as condições de visitação em conformidade com as medidas de segurança e que as obrigações do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) estão sendo cumpridas.
Na fundamentação da decisão, a Justiça enfatiza a persistência de riscos geológicos e hidrológicos que podem comprometer a segurança dos visitantes. Em caso de descumprimento da ordem, o município enfrentará uma multa diária de R$ 1 mil, com um limite inicial de R$ 10 mil. A Prefeitura também deverá comprovar a execução das obrigações assumidas no acordo prévio com o Ministério Público. A Cachoeira do Tabuleiro, com 280 metros de altura, é reconhecida como a maior de Minas Gerais e a terceira maior do Brasil em queda livre. Sua interdição anterior ocorreu em 2021, após o desprendimento de um bloco rochoso, levando a estudos e vistorias que alertaram para riscos e a necessidade de monitoramento constante.
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