Corrupção: Operação prende ex-servidores da Câmara de Santa Luzia por supostas fraudes em licitações
Nesta terça-feira, 21 de julho de 2026, dois indivíduos que atuaram como funcionários da Câmara Municipal de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foram detidos. A ação é resultado de uma operação conjunta do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e da Polícia Civil, que investiga suspeitas de fraudes em processos licitatórios e contratos públicos.
Além das prisões, a Justiça determinou a apreensão de bens e o bloqueio judicial de valores dos envolvidos. A investigação que culminou nas detenções já havia registrado a execução de diversos mandados de busca e apreensão no ano anterior, indicando a profundidade do trabalho das autoridades na apuração dos fatos.
Conforme apurado pelo MPMG, há fortes indícios de que contratos públicos da Câmara Municipal foram firmados por meio de negociações ilícitas de propina, sem a devida realização de licitações. O promotor de Justiça Evandro Ventura da Silva ressaltou a abrangência do esquema: "Essas empresas já eram escolhidas antes, já se negociava com essas empresas o pagamento de propina. Nós tivemos serviços de pintura, de pedreiro, de engenharia, até mesmo compra de produtos, de material de informática e também material de escritório. Em todos aqueles contratos em que se vislumbrava a possibilidade de pagamento de propina, o esquema entrava". A operação se concentra exclusivamente nos contratos do Legislativo municipal, apesar de uma das buscas ter ocorrido na Prefeitura de Santa Luzia.
Os dois indivíduos, um homem e uma mulher, são alvo de acusações de fraude em licitação, corrupção ativa, corrupção passiva e associação criminosa. Segundo o promotor, eles são vistos como os principais responsáveis por toda a articulação e gestão do esquema, desde a seleção das empresas vencedoras das licitações até a negociação dos valores de propina envolvidos. Durante a operação desta terça-feira, foram apreendidos dois veículos e uma série de documentos em residências, empresas ligadas aos investigados e, inclusive, na Prefeitura de Santa Luzia, onde um dos presos atualmente exerce o cargo de secretário.
O Portal Minas tentou contato com a Câmara Municipal de Santa Luzia para obter um posicionamento sobre o caso, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem. Em nota, a Prefeitura de Santa Luzia informou que "não se manifesta sobre informações de caráter pessoal envolvendo seus servidores" e que os "fatos apurados na operação referem-se a circunstâncias alheias à atuação dos citados como servidores na atual Administração Municipal".
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