O empresário Geraldo Rufino, nome que tem circulado como possível vice de Romeu Zema (Novo) na disputa pela Presidência da República, responde judicialmente por um suposto esquema criminoso que teria lesado credores em pelo menos R$ 6,8 milhões. A situação judicial ganha destaque em 04 de julho de 2026, em um momento em que o acordo para a chapa presidencial ainda está sendo costurado.

Em decisão proferida em 13 de abril, a juíza Gilvana Mastrandéa de Souza, da 7ª Vara Cível de Osasco, apontou um "verdadeiro padrão de conduta marcado por confusão patrimonial, desvio de recursos e favorecimento indevido de determinados credores", em clara violação aos princípios de um regime recuperacional. A magistrada rejeitou o pedido de Geraldo Rufino e de sua esposa, Marlene Rufino, para que retornassem à gestão da JR Diesel, empresa que entrou em recuperação judicial em 2016. Ambos foram afastados da direção justamente devido às fraudes identificadas nas investigações.

As apurações que fundamentaram a decisão judicial revelam um emaranhado de movimentações financeiras consideradas suspeitas. Documentos indicam a criação de uma rede de empresas satélites para ocultar patrimônio, com o uso de funcionários e parentes como "laranjas" em novos negócios que operavam na mesma sede e com a mesma estrutura da JR Diesel, mas permaneciam blindados contra as dívidas da companhia principal. Foi identificada a saída de mais de R$ 6,8 milhões da empresa para sócios, parentes e outras companhias, sem lastro contratual ou justificativa contábil, o que, para a Justiça, reforça indícios de desvio patrimonial. A decisão ainda menciona pagamentos de despesas pessoais dos sócios, operações frequentes em dinheiro vivo, indícios de "caixa 2" e a concessão de aproximadamente R$ 380 mil em créditos aos filhos de Geraldo Rufino, embora não fossem funcionários nem prestassem serviços à empresa. Um inquérito policial está em andamento para apurar a eventual prática de crimes previstos na Lei de Falências pelos sócios afastados.

Geraldo Rufino, nascido em Campos Altos, Minas Gerais, e criado na favela do Sapé, na zona oeste de São Paulo, é conhecido por sua história de "superação", tendo construído a JR Diesel após iniciar a vida como catador de latinhas. Com 3,6 milhões de seguidores no Instagram, ele se apresenta como "catador de sonhos", é autor de dois livros e mentor do Hi-Level. Sua trajetória inclui cinco falências empresariais, e em uma videoaula, ao comentar momentos de dificuldade financeira, o empresário teria afirmado: "Guarda [o dinheiro] onde der para guardar. Pai, mãe, sobrinho, guardem no colchão e não tem problema. O credor vai te pressionar o tempo todo. Não espere diferente". A juíza, ao manter o afastamento dos sócios, justificou a medida para evitar a repetição das condutas e novos prejuízos aos credores.