Brenda Tavares Moura, diretora de Média e Alta Complexidade da Secretaria Municipal de Saúde de Paracatu, no Noroeste de Minas Gerais, está sob investigação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). A servidora é acusada de ter utilizado recursos públicos da área da saúde para custear procedimentos cirúrgicos de natureza estética. As intervenções, que incluíram uma mastopexia com prótese mamária e uma dermolipectomia abdominal, teriam gerado um custo de R$ 31.403,75 aos cofres públicos.

De acordo com o MPMG, a diretora teria se valido de sua posição de comando para desrespeitar os protocolos do sistema de saúde, obtendo benefício pessoal. Sua influência sobre o agendamento e a autorização de procedimentos realizados pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde do Alto do Paranaíba (Cisalp) é apontada como crucial para a concretização das cirurgias. A mastopexia com prótese mamária visa remodelar e levantar os seios, muitas vezes com a inserção de silicone, enquanto a dermolipectomia abdominal remove excesso de pele e gordura da região da barriga, sendo comum após significativas perdas de peso ou gestações.

A investigação teve início após uma denúncia anônima recebida pela Ouvidoria do Ministério Público, que indicava o uso da estrutura pública de saúde para fins particulares da servidora. Durante o inquérito, uma funcionária responsável pela regulação de vagas testemunhou que Brenda solicitou verbalmente o agendamento de consultas e procedimentos, sem a apresentação de encaminhamento médico. A subalterna afirmou ter atendido à solicitação devido à relação hierárquica e nunca ter presenciado uma situação similar no setor antes. Os procedimentos foram realizados em abril de 2025.

O MPMG ressaltou que a diretora não seguiu o fluxo de atendimento padrão para pacientes, utilizando seu cargo para acesso privilegiado. Um laudo médico que supostamente justificaria o caráter reparador das cirurgias foi apresentado meses após a realização dos procedimentos e apenas depois do início das apurações, o que, para os promotores, reforça a suspeita de uso indevido. Em 3 de junho, a Justiça acatou o pedido do Ministério Público e determinou o bloqueio de bens de Brenda Tavares Moura até o montante de R$ 35.346,39, visando garantir um eventual ressarcimento aos cofres públicos. Para cumprir a decisão, foram utilizados os sistemas SisbaJud, com a modalidade "teimosinha" para contas bancárias, e Renajud, para impedir a transferência de veículos. A Justiça também determinou que a servidora seja citada para apresentar defesa em até 30 dias e notificou o Município de Paracatu para informar se pretende participar da ação movida pelo Ministério Público.

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