Uma notícia falsa que circula com intensidade nas redes sociais tem gerado preocupação desnecessária entre os moradores de Belo Horizonte e de diversas cidades de Minas Gerais. O boato afirma que aplicar perfume diretamente na região do pescoço poderia prejudicar o funcionamento da glândula tireoide, sob a justificativa de que a pele no local, por ser mais fina e vascularizada, facilitaria a absorção de substâncias químicas capazes de interferir no equilíbrio hormonal. Especialistas e entidades médicas, no entanto, reforçam que não existe qualquer evidência científica que comprove tal relação de causa e efeito.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, embora alguns cosméticos possuam em sua formulação compostos como parabenos e ftalatos, que são estudados como possíveis desreguladores endócrinos, o uso tópico de fragrâncias não é capaz de provocar doenças na tireoide. A absorção cutânea ocorre de maneira uniforme em qualquer parte do corpo, e o fato de o perfume ser aplicado próximo à glândula não intensifica o risco. Os estudos que analisam essas substâncias são realizados majoritariamente em laboratórios ou modelos animais, sem resultados conclusivos que mudem as recomendações de uso para seres humanos.

Os médicos alertam que os verdadeiros fatores de risco para problemas na tireoide são a exposição à radiação, disfunções no consumo de iodo, condições genéticas e doenças autoimunes. Portanto, a orientação para a população mineira é manter os hábitos de higiene e estética pessoais sem temor, buscando sempre informações em fontes oficiais e canais de saúde credenciados. A disseminação de conteúdos alarmistas sem base científica serve apenas para gerar ansiedade e afastar as pessoas de cuidados médicos que são realmente necessários para o bem-estar e a saúde pública.