O Tribunal de Contas da União (TCU) acendeu um sinal de alerta em Minas Gerais ao instaurar uma auditoria detalhada sobre o repasse de R$ 4 milhões em emendas parlamentares. A quantia, destinada pelo deputado André Janones (Rede), foi direcionada ao município de Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, cuja administração está sob a prefeita Leandra Guedes (Avante), conhecida por seu passado de relacionamento com o parlamentar.

Os recursos em questão foram empregados para a contratação de serviços de locação de ônibus para o transporte público em 2023. A peculiaridade da transação reside na sua modalidade: uma "transferência especial", popularmente conhecida como "emenda Pix", que permite o envio direto de verbas da União para estados e municípios com uma flexibilização nos mecanismos tradicionais de convênios. Esta metodologia, por vezes, levanta questionamentos sobre a transparência e a fiscalização dos gastos.

Diante da situação, o TCU não hesitou em exigir um vasto leque de documentos e esclarecimentos da prefeitura de Ituiutaba. Foi estipulado um prazo rigoroso de 12 dias para a comprovação da correta aplicação das verbas, demandando desde estudos técnicos preliminares, pesquisas de preços, editais e propostas, até pareceres jurídicos, notas fiscais, comprovantes de pagamento e relatórios de fiscalização. Adicionalmente, o tribunal requisitou provas da efetiva prestação dos serviços, extratos bancários da conta específica e justificativas para quaisquer transferências realizadas, indicando a seriedade com que o caso está sendo tratado.

Em uma reviravolta que adensa o cenário, o deputado André Janones, após a abertura da investigação, pronunciou-se de forma contundente, afirmando que o município de Ituiutaba estaria "tomado por uma quadrilha". Segundo o parlamentar, este grupo estaria "desviando, sistematicamente, as receitas do município para o enriquecimento dos criminosos que estão à frente do Executivo". Janones alega que suas suspeitas sobre o desvio de recursos de suas emendas datam de três anos atrás, o que o levou a iniciar uma investigação interna na prefeitura, posteriormente interrompida devido a "falsas denúncias".

O parlamentar afirmou ter encaminhado todo o material coletado, incluindo áudios que supostamente comprovam o recebimento de propina, à Polícia Federal e ao próprio TCU, confiante de que a prisão dos envolvidos é apenas uma questão de tempo. Este episódio não é o primeiro a envolver Janones e Guedes em controvérsias; entre 2014 e 2018, eles mantiveram um relacionamento, e em 2025, a prefeita acionou a Justiça, acusando o deputado de ameaças com fotos íntimas e de tentar interferir em sua gestão, com solicitações de demissão de servidores. Janones, por sua vez, negou veementemente as acusações, declarando não ter enviado fotos ou cometido qualquer crime.