Uma nova pesquisa Datafolha, divulgada na última segunda-feira (13) para o dia 14 de abril de 2026, aponta que 71% dos brasileiros consideram o Supremo Tribunal Federal (STF) um pilar fundamental para a proteção da democracia no país. Enquanto a percepção da essencialidade da Corte é amplamente reconhecida, o levantamento também revela uma visão crítica em relação à atuação dos ministros, com 75% dos entrevistados acreditando que os magistrados detêm “poder demais”.

A análise da pesquisa, que detalha as nuances da opinião pública, mostra que a concordância sobre o papel do STF varia conforme o histórico eleitoral. Entre os eleitores que declararam voto em Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno de 2022, o índice de reconhecimento da essencialidade da instituição atinge 84%. Já para os que votaram em Jair Bolsonaro, a maioria esmagadora (60%) também concorda com a importância do Supremo para o regime democrático. Aqueles que votaram em branco ou nulo apresentaram um percentual de 73% de concordância.

Apesar do reconhecimento da importância da Corte, a pesquisa Datafolha detalha que a percepção de poder excessivo dos ministros é generalizada, com 75% dos entrevistados afirmando essa crença, contra 20% que discordam, 2% que não concordam nem discordam e 3% que não souberam responder. Além disso, o mesmo percentual de 75% acredita que a confiança na instituição é menor nos dias atuais do que em períodos anteriores. No total, sobre a essencialidade do STF, 71% concordam, 24% discordam, 2% não concordam nem discordam, e 3% não sabem.

No que tange à avaliação individual dos membros do Tribunal, o ministro André Mendonça obteve o melhor desempenho, com um índice de aprovação de 26 pontos. Entre os que conhecem sua trajetória, 39% consideram sua atuação ótima ou boa, enquanto 13% a avaliam como ruim ou péssima, e 36% como regular, com 13% não sabendo. A ministra Cármen Lúcia aparece em seguida, com o segundo melhor índice de aprovação (17 pontos), sendo que 42% dos entrevistados que a conhecem classificam seu trabalho como ótimo ou bom, contra 25% que o avaliam negativamente, 27% como regular, e 6% não souberam. O ministro Luiz Fux também figura entre os nomes com saldo positivo, marcando 7 pontos, com 29% de ótimo/bom, 22% de ruim/péssimo, 37% de regular, e 11% não souberam. Edson Fachin alcançou 0 pontos, com 24% de ótimo/bom, 24% de ruim/péssimo, 39% de regular, e 13% não souberam.

Por outro lado, seis ministros apresentaram índices de avaliação negativa: Cristiano Zanin (-4 pontos), Flávio Dino (-4 pontos), Kassio Nunes Marques (-4 pontos), Alexandre de Moraes (-8 pontos), Gilmar Mendes (-12 pontos) e Dias Toffoli (-16 pontos). Os percentuais específicos para cada um são: Cristiano Zanin (ótimo/bom: 23%; regular: 37%; ruim/péssimo: 26%; não sabem: 14%); Flávio Dino (ótimo/bom: 30%; regular: 26%; ruim/péssimo: 34%; não sabem: 10%); Kassio Nunes Marques (ótimo/bom: 18%; regular: 45%; ruim/péssimo: 23%; não sabem: 14%); Alexandre de Moraes (ótimo/bom: 33%; regular: 22%; ruim/péssimo: 41%; não sabem: 5%); Gilmar Mendes (ótimo/bom: 21%; regular: 34%; ruim/péssimo: 33%; não sabem: 11%); e Dias Toffoli (ótimo/bom: 19%; regular: 35%; ruim/péssimo: 35%; não sabem: 11%). A margem de erro para a avaliação dos ministros foi de 2 pontos percentuais para Alexandre de Moraes; 3 pontos para Cármen Lúcia, Gilmar Mendes, Edson Fachin, Dias Toffoli, Flávio Dino e Luiz Fux; e 4 pontos para André Mendonça, Cristiano Zanin e Kassio Nunes Marques.

Em outro ponto da investigação, a pesquisa abordou a percepção pública sobre o suposto envolvimento de ministros do STF no caso Banco Master. Mais da metade dos brasileiros, precisamente 55%, acredita que magistrados da Corte possuem ligação com irregularidades envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master. No total, aproximadamente 70% da população afirma ter conhecimento das suspeitas que recaem sobre o tribunal neste contexto. Para realizar este levantamento, o Datafolha ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, em 137 municípios brasileiros, entre os dias 7 e 9 de abril. A margem de erro geral da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%.