A declaração hostil do governador Romeu Zema comparando a região Nordeste a vacas de baixa produtividade completou um ano, mas seus efeitos colaterais seguem destruindo as pretensões nacionais do político mineiro. O episódio, que gerou revolta em governadores de diversos estados e na sociedade civil, consolidou a imagem de Zema como um líder separatista e insensível à diversidade regional brasileira. A insistência em um discurso que marginaliza o Norte e o Nordeste para privilegiar o Sul e o Sudeste criou uma barreira intransponível para sua aceitação fora das fronteiras mineiras, colocando-o em uma posição de pária político no tabuleiro federal.

Em conversas reservadas com o staff do PL, o senador Flávio Bolsonaro já sinalizou que a possibilidade de ter Zema como vice em uma chapa presidencial está praticamente descartada. O temor da cúpula bolsonarista é que a fala desastrosa do governador seja amplamente explorada pelos adversários durante o horário eleitoral gratuito, servindo como uma munição fatal para afugentar o eleitorado nordestino. Flávio, que lidera um esforço contínuo para reduzir a rejeição da direita naquela região, entende que carregar o nome de Zema na chapa seria assumir um desgaste desnecessário e suicida, entregando de bandeja o argumento de que o grupo despreza o povo do Nordeste.

A exclusão de Zema dos planos principais da direita nacional reflete o isolamento de um governo que preferiu o ataque ideológico à diplomacia federativa. Enquanto Minas Gerais sofre as consequências da falta de articulação em Brasília, o governador assiste ao esvaziamento de seu capital político, sendo visto agora como um aliado de conveniência local, mas um fardo eleitoral de proporções nacionais. Sem o apoio da família Bolsonaro para voos maiores e sob o estigma do preconceito regional, Zema caminha para encerrar seu ciclo com a marca da desunião, deixando Minas Gerais em uma posição de desvantagem nas negociações políticas que definirão o futuro do país.