O governo federal admitiu, na última quarta-feira (15) de abril de 2026, a possibilidade de incorporar um período de transição ao projeto de lei que visa encerrar a escala de trabalho 6x1. Contudo, a administração descartou a concessão de uma nova isenção fiscal para compensar o setor empresarial. A informação foi confirmada pelo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães.

Em um diálogo com a imprensa no Palácio do Planalto, Guimarães informou que o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva planeja anunciar a proposta de redução da jornada de trabalho em maio, mês dedicado às celebrações dos trabalhadores. O ministro, que assumiu o cargo na mesma semana, enfatizou a importância do diálogo: "Nunca se votou matérias polêmicas sem que os dois lados não cedessem. Estamos abertos a discutir. Transição é possível, mas desoneração acho que não tem mais espaço." A discussão sobre a transição e a desoneração surge como tentativa de mitigar a resistência de empresários à medida, que propõe a redução da jornada de um dia, passando de 44 para 40 horas semanais.

Ainda na quarta-feira (15), o executivo protocolou um projeto de lei em regime de urgência, movimento que ocorreu após uma reunião entre o Presidente Lula e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Embora Motta defenda a tramitação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) sobre o tema, o governo avalia que o rito de uma PEC seria consideravelmente mais lento.

Em outro ponto de destaque, Guimarães mencionou que a votação do projeto de regulamentação do trabalho por aplicativos de entregas e transporte deverá ser adiada para depois das eleições. A ausência de um consenso inviabilizou o avanço da pauta. Inicialmente, esta era uma das apostas do governo para se conectar com um segmento de trabalhadores que o Presidente Lula tem encontrado dificuldades em alcançar. No entanto, o texto que tramita no Congresso, após diversas modificações, perdeu o respaldo governamental. "Não votamos porque não tem acordo sobre nada. Plataformas não concordam, os trabalhadores também não, e a oposição está esperando um vacilo para dizer que o governo vai prejudicar os trabalhadores", explicou o ministro, reiterando a posição de adiar a votação para o período pós-eleitoral.

Por fim, o ministro abordou as iniciativas governamentais para combater o endividamento familiar, antecipando que Lula deve apresentar, nos próximos dias, propostas que incluirão aspectos relacionados às apostas online, popularmente conhecidas como "bets". Apesar disso, Guimarães pontuou a inexistência de um consenso interno no governo sobre o assunto. Recentemente, o Presidente Lula expressou, em entrevista, o desejo de proibir novamente as "bets" no país. "Eu sei a posição do presidente, mas precisamos levar em conta a correlação de forças no Congresso", ponderou Guimarães, indicando que a percepção é de que o Congresso tende a aprovar a regulamentação, não a proibição. Atualmente, a atuação das "bets" já é regulamentada, mas o governo estuda um endurecimento das regras, visando mitigar o impacto no endividamento da população, embora a proibição integral seja vista como improvável de ser aprovada.