O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se prepara para uma sessão decisiva nesta terça-feira, 9 de junho de 2026, às 19h, quando seu plenário avaliará a manutenção ou revogação de uma decisão liminar. Proferida pelo ministro Nunes Marques, a medida provisória determinou a suspensão da divulgação de uma pesquisa que indicava uma queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.

O levantamento, realizado e divulgado em maio, ganhou destaque após o vazamento de áudios nos quais Flávio Bolsonaro aparece solicitando recursos financeiros a Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e proprietário do extinto Banco Master, atualmente sob investigação por supostas fraudes financeiras bilionárias. A suposta solicitação teria como objetivo financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em decorrência da liminar, a empresa AtlasIntel, responsável pela pesquisa, foi obrigada a remover o estudo de seus canais de comunicação e interromper qualquer forma de divulgação.

O Partido Liberal (PL), legenda de Flávio Bolsonaro, foi quem apresentou os argumentos que levaram à decisão do ministro Nunes Marques, presidente do TSE. O partido alegou direcionamento negativo indevido contra o senador, apontando que, das 49 perguntas do questionário, oito abordavam o Banco Master, conectando o pré-candidato ao escândalo financeiro de maneira inadequada. Além disso, a sigla argumentou que as perguntas eram tendenciosas e sequenciais, influenciando as respostas, e que a autenticidade dos áudios que embasaram as questões ainda não foi verificada pela Justiça. Nunes Marques, em sua decisão, considerou que tais argumentos são plausíveis e sugerem que o questionário poderia ter sido utilizado como mecanismo de indução dos entrevistados, transcendendo uma mera discordância metodológica.

Em resposta à liminar, o instituto AtlasIntel divulgou uma nota defendendo a integridade de sua pesquisa. A empresa afirmou que "a situação será devidamente esclarecida a partir da análise técnica dos fatos e da metodologia empregada", manifestando confiança no colegiado do TSE para validar a robustez técnica e a legalidade do estudo. O plenário do Tribunal, além do ministro Nunes Marques, é composto por outros seis ministros: André Mendonça, Dias Toffoli, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva, Floriano Azevedo Marques Neto e Estela Aranha.