A administração municipal de Limeira, localizada no interior de São Paulo, informou que ingressará com uma ação judicial contra o Governo Federal. A medida surge após a lamentável morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, uma jovem de 24 anos, no último sábado (13), durante a prática de rope jumping na desativada Ponte do Esqueleto. O município alega omissão da União na fiscalização e manutenção da estrutura.

Maria Eduarda, estudante de educação física, participava de uma atividade promovida pela empresa Entre Cordas, que combinava trilha com um salto de corda da elevada estrutura da ponte. A vítima foi lançada de uma altura aproximada de 35 metros, e lamentavelmente, a corda de segurança essencial para a prática não estava devidamente fixada, resultando no acidente fatal.

Desde o início de 2025, a Prefeitura de Limeira afirma ter cobrado do Governo Federal ações de fiscalização, manutenção e controle de acesso à Ponte do Esqueleto, atribuindo-lhe a responsabilidade exclusiva pela estrutura. Segundo o município, múltiplos ofícios foram enviados a órgãos federais solicitando intervenções de segurança, porém, nenhuma medida efetiva foi implementada. O prefeito Murilo Félix declarou: “Além das circunstâncias que levaram à morte da jovem, é preciso apurar a responsabilidade pela falta de controle de acesso a uma área federal que, há anos, apresenta riscos conhecidos e segue sem as medidas de proteção necessárias. A Prefeitura e a Câmara vêm cobrando providências há meses para que o Governo Federal assuma sua responsabilidade. Infelizmente, a omissão federal acaba de resultar em mais uma tragédia em Limeira.”

A administração de Limeira também garantiu apoio total à Polícia Civil nas investigações em curso e expressou sua solidariedade aos familiares e amigos da vítima. Em resposta, a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) divulgou uma nota, lamentando o falecimento da jovem e esclarecendo que o incidente ocorreu durante uma atividade esportiva não autorizada. A SPU confirmou que a Ponte do Esqueleto é parte do patrimônio da União, e sua transferência para a superintendência paulista do órgão foi finalizada em março de 2026. Anteriormente, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) era o responsável pelo bem desativado. A nota da SPU concluiu afirmando que o órgão está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.

Conhecida como Ponte do Esqueleto, a estrutura, situada na divisa entre Limeira e Cordeirópolis, tem sido tema de debates entre os vereadores de Limeira há anos. Localizada na Estrada Doutor Cássio de Freitas Levy, a aproximadamente 7 quilômetros do centro urbano, a ponte encontra-se em uma área rural procurada por ciclistas, corredores e entusiastas de esportes de aventura. A construção, que jamais foi finalizada, está abandonada por mais de três décadas. Desprovida de utilidade para o sistema viário local, ela se transformou em um ponto de lazer e atividades esportivas. Houve um período em que a Prefeitura de Limeira chegou a interditar o acesso à estrutura, atendendo a um pedido da União, devido aos perigos que apresentava. A discussão sobre o uso da ponte foi reacendida recentemente, após a morte de uma ciclista de Rio Claro, em 28 de abril, que sofreu uma queda da estrutura enquanto passeava com seu marido e amigos. Apesar das proibições, defensores do turismo de aventura e grupos de ciclistas têm argumentado pela liberação do acesso, vendo na ponte um potencial ponto turístico e esportivo. O impasse entre a segurança e o aproveitamento recreativo da área persiste há anos na região.