A privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) foi formalmente concluída nesta terça-feira, 16 de junho, em cerimônia realizada na B3, em São Paulo. O marco, que transfere a gestão da companhia para o Grupo Equatorial via Gerais Saneamento S.A., é precedido por significativas incertezas acerca do futuro dos serviços de saneamento no estado, especialmente nas comunidades menores. Além disso, o processo foi permeado por indícios de irregularidades, que lançam uma sombra sobre a transação.

Esta desestatização encerra uma fase de reestruturação corporativa, conduzida sob a aprovação do governo mineiro. Apesar das garantias da antiga gestão de que a Copasa "seguirá atuando com foco na prestação dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário, mantendo sua experiência operacional, presença territorial e compromisso histórico com os mineiros", a concretização da venda é recebida com apreensão. Marília Carvalho de Melo, presidente da Copasa, em seu pronunciamento na B3, descreveu o momento como um "marco importante", fruto de um trabalho que exigiu "extrema capacidade técnica, responsabilidade e um sólido trabalho coletivo". A executiva ainda reiterou a preparação da companhia para esta "nova jornada", prometendo "honrar o nosso compromisso inegociável com a universalização do saneamento e ampliar a qualidade do atendimento prestado a todos os nossos clientes de Minas Gerais". No entanto, as declarações otimistas contrastam com as preocupações levantadas sobre a eficácia de tais promessas no cenário pós-privatização, especialmente face aos questionamentos sobre a lisura do processo.

A sessão solene na Bolsa de Valores, que formalizou o novo modelo de governança, teve a presença do governador de Minas Gerais, Mateus Simões, e da secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Batista, em São Paulo. A aliança entre o governo estadual e Augusto Miranda da Paz, CEO do Grupo Equatorial Energia, foi fundamental para selar a entrada da Gerais Saneamento S.A. como parceira estratégica, atraindo capital privado para o setor. Com a conclusão da transação, a Gerais Saneamento S.A., ligada ao Grupo Equatorial, assume uma participação de 30% no capital social da companhia, estabelecendo uma nova estrutura acionária. Este arranjo levanta questões sobre o equilíbrio entre os interesses do mercado e a garantia de um serviço essencial à população.

A despeito das prioridades declaradas para esta nova fase, que incluem a ampliação da eficiência operacional, o fortalecimento da infraestrutura e a melhoria da qualidade dos serviços, juntamente com o cumprimento das metas regulatórias, o cenário é de vigilância. O setor de saneamento nacional enfrenta um período de profundas transformações, com o desafio da universalização dos serviços. Neste contexto, a Copasa, sob nova gestão, se compromete a "continuar contribuindo ativamente para o desenvolvimento social e econômico de Minas Gerais". No entanto, o impacto real das mudanças e a capacidade da nova administração de superar os desafios preexistentes, especialmente frente aos indícios de irregularidades e às dúvidas sobre a abrangência do serviço em cidades de menor porte, permanecem sob rigorosa observação por parte da sociedade mineira.