Nesta segunda-feira, 1º de junho de 2026, a porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Amanda Roberson, assegurou que o presidente Donald Trump pretende erradicar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Para cumprir este objetivo, o governo norte-americano empregará "todas as ferramentas à disposição". A declaração foi feita por Roberson durante entrevista à CNN Brasil.

"O presidente Trump deixou muito claro desde o início do seu mandato que ele vai utilizar todas as ferramentas a nossa disposição para combater esses grupos criminosos que estão atuando na nossa região e para proteger a segurança dos Estados Unidos", afirmou a porta-voz, adicionando que "o presidente Trump está atuando para eliminar estes grupos". Questionada sobre o impacto da classificação em território brasileiro, Roberson enfatizou a continuidade da colaboração com as autoridades do Brasil, destacando a importância da cooperação para enfrentar essas organizações que afetam tanto comunidades brasileiras quanto americanas.

A medida anunciada na última quinta-feira, 28 de maio de 2026, pelo Departamento de Estado dos EUA, classificou o PCC e o CV como "Terroristas Globais Especialmente Designados". A decisão, assinada pelo secretário de Estado Marco Rubio, entrará em vigor nesta sexta-feira, 5 de junho. Até então, as duas facções eram tratadas pelos Estados Unidos e pelo Brasil apenas como organizações criminosas. No comunicado, os EUA descreveram o CV e o PCC como "duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil", responsáveis por comandar milhares de membros e orquestrar ataques brutais contra policiais, autoridades públicas e civis.

Com a nova classificação, as autoridades norte-americanas ganham o poder de congelar contas e ativos, barrar o acesso ao sistema bancário do país, restringir movimentações financeiras, penalizar indivíduos e empresas com laços comerciais com as organizações, além de aplicar sanções internacionais. É relevante mencionar que a decisão dos EUA foi divulgada um dia após um encontro em Washington entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, e Marco Rubio. Contudo, Amanda Roberson negou qualquer conexão direta entre os dois eventos, ressaltando que tais decisões são baseadas nas prioridades dos Estados Unidos e na responsabilidade do presidente Trump para com a nação.

Após o anúncio dos Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) solicitou um levantamento detalhado sobre os possíveis efeitos da medida norte-americana. O pedido foi feito durante uma reunião de emergência com ministros do governo federal. O Palácio do Planalto visa reunir informações técnicas que possam subsidiar uma eventual conversa com o presidente Donald Trump, na tentativa de reverter a classificação. Os dois líderes haviam se encontrado em maio, antes da decisão dos EUA, mas o tema não foi abordado na ocasião.